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A Guerra e a Vitrine do Artista Independente: A Luta Diária nasRuas de São Paulo

  • Feb 25
  • 3 min read

O palco é a rua e a regra é uma só: a organização é o que separa a 'guerra' diária pela sobrevivência

do artista independente em São Paulo da consolidação de seu negócio.

Por Elder Oliveira

Caminhar pela Avenida Paulista é um convite constante à arte, com cores e sons que se

espalham a cada quarteirão. Mas por trás desse cenário vibrante e cativante, existe uma

realidade pouco visível: a intensa luta diária de quem escolhe viver da própria arte no Brasil. A

rua se transforma no principal palco e, ao mesmo tempo, no maior desafio para esses

profissionais.

O Vão Livre do MASP, um verdadeiro museu a céu aberto e uma das vitrines mais cobiçadas da

cidade, é o ponto de encontro de muitos talentos. É nesse palco magnético que Jai Cleidi, diretor

de criação e artista multidisciplinar, estabeleceu seu ponto há quase quatro anos. Contudo, ele é

categórico: o trabalho é pesado.Partir para a Guerra: Sobrevivência e Autonomia

Na visão de Jai, a jornada do artista independente é uma verdadeira "guerra". Em uma realidade

sem o glamour dos grandes patrocínios, ele destaca a ausência de recursos externos como o

grande obstáculo:

"É difícil. Muito difícil. Se você não tiver recursos, seja familiar ou estatal ou privado, você

depende de você. Então você tem que sair na rua e partir pra guerra."

Essa "guerra" na prática exige que o artista seja uma "agência de um homem só". Sem a

estrutura e o apoio de grandes instituições, o artista de rua precisa dominar um conjunto de

habilidades que vai muito além de sua técnica principal. Jai descreve a multifuncionalidade

necessária:

"Você é o seu RH, você é o seu comercial, você é o seu marketing, você também é o produtor."

Apesar das dificuldades, o artista percebe um movimento positivo de interesse do público. "Mas

a cada ano eu vejo que as pessoas estão cada vez mais interessadas em descobrir, em

conhecer a arte que cada pessoa tá oferecendo por aí, principalmente na rua."Do Hobby à

Profissão: O Poder da Organização

Para aqueles que desejam mergulhar de cabeça no mundo da arte independente, Jai enfatiza

que o talento é apenas o primeiro passo. A organização é o que de fato separa um hobby de

uma profissão sustentável.

Ele sugere um planejamento estruturado:

● Pé no Chão: É fundamental colocar a ideia no papel, garantindo que o projeto tenha base

e viabilidade.

● Investimento Contínuo: A segunda fase é investir constantemente no trabalho, seja

comprando mais material ou focando no marketing pessoal.

● Identidade Profissional: Criar a sua logo, desenvolver a sua identidade visual e produzir

um cartão de visita são passos cruciais para profissionalizar o negócio.

"A partir daí é só investimento no seu produto e botar pra girar."

Fazer arte girar exige uma mistura de coragem, planejamento e muita dedicação. A Avenida

Paulista permanece como um portal aberto para quem tem uma ideia na cabeça e a vontade

inegável de mostrá-la ao mundo.

E você, costuma parar para valorizar a arte que cruza o seu caminho?


A Central de Notícias da Rádio Inteira Ação é uma iniciativa do Projeto “A Era booktok: A nova cara da literatura brasileira!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

 
 
 

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