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No Mês da Visibilidade Trans, estudo revela que mulheres trans e travestis são um dos grupos que mais

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  • 3 hours ago
  • 3 min read

Por Victoria Marques


Apesar da queda de 11,7% nos registros de mortes violentas contra pessoas LGBTQIAP+ em 2025, o Brasil ainda contabilizou 257 vítimas no ano passado. Os dados do Grupo Gay da Bahia revelam que, em média, uma pessoa LGBTQIAP+ morre a cada 34 horas no país. Mulheres trans e travestis são um dos grupos mais atingidos (24,9%), ficando atrás somente de homens gays (60,7%).

 Segundo o levantamento, as mulheres trans e travestis têm um risco 19 vezes maior de morrer de forma violenta, quando comparado com outros grupos da comunidade. Esses dados complementam o dossiê de 2024 da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que relevou que o Brasil é o país mais letal para pessoas trans, e São Paulo lidera o ranking entre as cidades.

Jacqueline Chanel é uma mulher trans de 61 anos, ativista e política, e conta que sua trajetória foi muito difícil. Aos 5 anos, ela já se sentia diferente das outras crianças, aos 10 sofria bullying na escola.  Mas foi aos 13 que sua vida mudou: “Minha mãe me levou numa igreja e ela literalmente me entregou para o pastor. Ela pediu para ele terminar de me criar, porque ela não estava mais dando conta de mim”, conta ela.

Apesar de ter sofrido preconceito de algumas pessoas na igreja, ela se considera sortuda, porque nunca se sentiu desrespeitada por ele. Infelizmente, o pastor foi assassinado quando ela tinha por volta de 20 anos, e se viu obrigada a voltar para casa.  Seus pais a aceitaram de volta, mas não foram muito receptivos, ela lembra de ser hostilizada por ser quem é. “Eu já estava mais pintosa ainda do que eu era antes. Então, eu tinha evoluído também nessa questão, né? De ficar feminina, de aceitar mais as coisas femininas e eu não me via mais como um rapaz, como um gay.”

Seus pais não a aceitaram de novo e ela foi expulsa mais uma vez, e foi morar com seu parceiro da época. Ela passou por dificuldades na faculdade e perdeu empregos por conta do preconceito. E não foram apenas nessas áreas da vida que ela se sentiu ferida. Por conta da dificuldade de antigamente, Jacqueline nunca retificou seu nome, porque pensava que não seria o suficiente para que as pessoas a aceitassem.

Atualmente, Jacqueline é uma ativista política que lidera movimentos em prol às pessoas trans. “Tudo me trouxe até os dias de hoje, tipo assim, como se eu tivesse sido preparada por Deus na minha vida para mim viver o momento que estou vivendo hoje”, conclui ela.

Agora existem leis e mais projetos com o intuito de tornar a saúde e segurança mais acessível para pessoas trans, como o CRD (Centro de Referência da Diversidade), que é um espaço de acolhimento a pessoas LGBTQIAP+, atendendo demandas burocráticas, suporte para finalizar os estudos, fornece roupas e cursos e oficinas.

O público é diverso, como explica o educador Ilan Arrais Fernandes: “A gente atende desde as pessoas que estão em situação de extrema vulnerabilidade - que são pessoas que não têm moradia no momento - como pessoas que já conseguiram alavancar a vida, então estão fazendo um curso técnico, que saíram de algumas situações mais vulneráveis e estão mudando. O serviço ele possibilita que as pessoas vão organizando a vida de certa forma”.

A atendente inicial do CRD e estudante de enfermagem, Julyana Almeida, fala da importância de tornar esses serviços acolhedores: “Ser acolhida e ser respeitada ser reconhecida como mulher ou homem trans e de fato ser acolhida de forma humanizada, que está faltando muito nos ambientes hospitalares”. “Tanto que muitas meninas acabam abandonando os tratamentos por chegar no espaço de atendimento e não é respeitada e reconhecida como tal”, completa.

São muitos os desafios para tornar os espaços mais inclusivos, como explica o Valmir de Souza, CEO da Biomob, start up que cria soluções de equidade: “Porque esse tema tem que ser debatido de forma imparcial, mas principalmente olhando para o primeiro aspecto que é o da legislação. A gente vive um mundo muito polarizado, isso não é no Brasil”.

A Central de Notícias da Rádio Inteira Ação é uma iniciativa do Projeto “A Era booktok: A nova cara da literatura brasileira!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.

 
 
 

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